Dormente

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Abres a boca e as palavras entorpecem-me,
Dormente da cabeça aos pés,
Estagnado e imóvel, inerte, falho de vida
Chama perdida num novo revés
Os joelhos tocam o chão
Amaldiçoado e abençoado
Numa morte da mente
Um funeral sem caixão
Adormecido pelo peso das palavras
Torpe, caído, vergado
Sem sombra dum sorriso
Ajoelhado, sobre raízes arrancadas
Morre na garganta a dor gutural
Invadido pelo mais doloroso silêncio
Mas livre, finalmente livre

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Banda Sonora de 2014 – Parte VI

Sempre com um sorriso.

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Banda Sonora de 2014 – Parte V

Tripe que é tripe, tem que prestar tributo a uma banda que quase deu cabo da camada do ozono nos anos 80 tal o volume de laca consumido. Fora isso, tirando a cicatriz que ainda não tinha desaparecido e me preocupava. Maio foi em altíssima rotação.

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Banda Sonora de 2014 – Parte IV

Malas feitas, é como diz a música. Um beijo para quem fica.

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Banda Sonora de 2014 – Parte III

Quando paramos e olhamos para trás e vemos todo o pandemónio e caos que foi feito, e mesmo assim só nos dá para sorrir e dizer voltava a fazer tudo igual.

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Banda Sonora de 2014 – Parte II

De luzes bem acesas, forte e feio, carregados de loucuras e de uma fome inexplicável e impossível de saciar.

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Banda Sonora de 2014 – Parte I

Chega com algum atraso mas isto de se andar ocupado é tramado. Janeiro deixou marcas, quem diria que a marca de um cigarro demoraria tanto tempo a desaparecer?!?

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Fenómenos

Romaria

Portugal a terra dos fenómenos. Do mesmo país e do mesmo povo que já nos deu o Entroncamento e todos as suas bizarrias, de partilhar a origem com as aparições de Fátima, do milagre da reabilitação do beato fascista e pró-Nazi da zona do Dão, da apoteose que se pode considerar a carreira do actual provedor da Santa Casa de Misericórdia, de termos um outro milagre da taxidermia a presidir de Belém ao desgoverno…Eis que nos chega a nossa resposta a Compostela, a Lourdes, a Jerusalém, a Meca…O grande, o maior e quiçá o definitivo prego no caixão da teoria da evolução de Darwin (lado a lado com a notícia que vi hoje sobre comprimidos com glitter que nos colocaram de futuro as fezes a brilhar – por um lado acho que é a única forma de 90% das pessoas brilharem por aqui mas pronto, outras conversas).

Estou a falar-vos da peregrinação ao Estabelecimento Prisional de Évora, sem dúvida o mais recente e até hoje sem igual de todos os fenómenos para-anormais que este país produz (e sim o hífen foi colocado propositadamente). Qual romaria da Senhora dos Remédios, vamos mas é refazer o caminho do Pernas desde Lisboa a Paris com paragem na Covilhã e acabar a visitar a prisão de Évora. Oh o potencial religioso, num país onde a corrupção qualquer dia começa a reclamar liberdade religiosa. E o merchandising que poderá surgir, toda uma industria que poderá florescer à volta desta estupidez, tantas pessoas a prestarem homenagem/vassalagem. Poderemos inclusive começar a vender relíquias como a igreja tem a tendência de fazer.

A genuína migalha do bolo-rei que o senhor de Poço de Boliqueime comeu em 1992, o bigode de Dias Loureiro, o carrinho da matchbox em que Marques Mendes se deslocava para as convenções do PSD, o marfim do Soares, o diploma perdido do Relvas (porventura o Santo Graal da estupidez). Só era preciso que os prendêssemos a todos…em Évora, ou no caso do Salgado besuntado de açúcar e colocado na Comporta todos os dias ao por do sol, já que sempre gostou tanto de brincar aos pobrezinhos por lá.

Mas pronto, pelo menos prendemos um de entre estas centenas de trastes que se passeiam entre nós como senhores feudais, com os restantes até poderíamos fazer um parque temático.

Enfim ficam estas ideias para um futuro melhor.

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Ocupado

busy

Ultimamente não tem havido publicações do escriba demente e obcecado com o seu próprio umbigo, se calhar porque ando obcecado com outros umbigos, ou então porque estou num marasmo. Ainda não percebi muito bem, se calhar porque eu sou um super-herói. Podem me chamar Capitão Retrospectiva, porque em restrospectiva eu sei sempre qual o melhor caminho e as melhores decisões a tomar.

Mas adiante, este vosso valente e corajoso mineiro continua a picaretar os pormenores e os tormentos de uma existência confortável o suficiente para não se preocupar com nada realmente digno de registo. Ou seja, para leigos, contínuo a vivier no meu, por bizarro que possa parecer, mundo de privilégio onde o que mais me poderá incomodar é não me sentir em perfeita sintonia com a moça que ocasionalmente partilha o meu leito. Estou com isto a colocar em perspectiva, vejam bem como evito utilizar o verbo pôr (porque com isto do novo acordo ortográfico já nem sei bem onde colocar a acentuação e detesto dar erros na escrita), o facto de que a maioria das coisas que me atormentam não passarem de notas de rodapé na vida de quem realmente sofre na pele as situações que realmente marcam e deixam cicatrizes.

Tudo isto para dizer que tal como o ano de 2013, também neste ano vou colocar uma digamos “banda sonora” com os meses do ano e com os diversos estados de espírito com que eles me deixaram. E como apesar de tudo vi neste ano, dor, amor, paixão, ternura e solidão em iguais medidas. Vi dores que nunca na minha vida poderei ajudar a diluir, dores profundas, levei uns quantos estalos por não ter estado onde era preciso quando devia. E Deus sabe como eu detesto ser apontado quando estive em falta, mas infelizmente neste ano estive. Falhei para com amigos meus em alturas que eles precisavam da minha presença e do meu apoio, demasiado perdido em prazeres temporários. Mas quem nunca falhou que atire a primeira pedra, de preferência a outro que eu ainda estou dorido, e sinceramente não sou grande amigo de geologia, ok?

Se 2013 foi o ano da montanha russa, 2014 foi o ano de…bom, ainda não acabou, digamos que 2014, fez 2013 parecer uma viagem na auto-estrada para Évora. Plano e cheio de rectas. E acho que tenho as cicatrizes para o provar, tatuagens ainda não, porque isso é para meninos.

Por isso cá vai, em breve a Original Soundtrack of 2014. Se não gostarem reclamem na ASAE.

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Morte aos Sonhos

oniromancia

Um dia ele parou de sonhar, cansou-se de ver sonhos a morrerem tristemente, simplesmente deixou de sonhar. Arrumou os seus futuros numa arrecadação e cada vez que um sonho ameaçava despontar empurrava-o desalmadamente para o seu espaço confinado e escuro. Deixou de sonhar por medo, por segurança, para não construir os castelos nas nuvens a que se sentia propenso. Tornou-se penoso o viver sem sonhos, com alegrias emprestadas ou fabricadas, respirava mas nem por isso vivia, um afecto mecanizado, sem sonhos tranquilo na sua hermeticidade.
Anos passaram sem sonhos, cinzento, com queda para colorir o mundo em tons de negro mais do que outras cores. E ainda hoje continua sem sonhar, mas não pelo medo que o levou a abolir, não por temores, pesadelos ou fraquezas. Hoje não sonha, porque ama a sua própria realidade mais do que qualquer sonho que perdeu. O seu sonho mais profundo é a gratidão pela realidade que tem. Ele sonha com a realidade, com tudo o que tem de bom e de mau.

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